Anie Bell

Poste aqui suas fanfics originais de fábrica!!! xD

Anie Bell

Ètoile
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Joined: February 18th, 2007, 4:37 pm

February 20th, 2007, 7:39 pm #1

Cap. I – Conhecendo Anie Bell


A viagem da faculdade para casa era longa e cansativa. Morava distante do centro da cidade. No caminho de volta, o cansaço sempre a fazia adormecer no banco do ônibus. Porém, nunca passara da parada de descer. Nisso, o sexto sentido de Anie Bell era bastante aguçado, bem mais do que a sua cabeça dorminhoca. Chegou a hora de descer. Estava chovendo. “Droga!”. Tirou o guarda-chuva de dentro da bolsa e pulou fora do ônibus.

No caminho, Anie Bell percebeu que seus pés estavam ficando molhados. “Por que esses all stars têm que ter esses buraquinhos do lado?”. Será que era pra manter os pés sempre arejados? Mas como? Se usava meias... “Acho que o criador da Converse tinha claustrofobia com relação aos seus pés”. Olhou ao redor e observou a cidade cinza. Até que ela não ficava tão feia assim. Além do mais, o cinza ainda é cor e não ausência de cor. Anie Bell achava o cinza uma cor interessante. Sempre desejara ter olhos cinzas pra depois quem quer que fosse perguntá-la, ter o prazer de dar-lhe uma negativa:
- Seus olhos são azuis?
- Não.
- São verdes?
- Não.

Tinha simpatia pelo “não”. Não a achava uma palavra mesquinha e arrogante como pensavam muitos. “Nem sempre o “sim” é o bem e o “não” é o mal”, pensava. O “não” é uma palavra forte e, ao mesmo tempo, poética. Rima com “coração” e todos os substantivos abstratos designadores de sentimentos: paixão, ilusão, atração, tesão. “Espera aí, mas tesão é sentimento?”.

Anie Bell chega em casa.

Anie Bell chega em casa. A sua mãe estava na cozinha fazendo um rizoto com vinho branco. A garota joga a bolsa e os livros no sofá. Dirige-se à cozinha e abre a geladeira. Abre, olha o seu conteúdo e fecha. Depois abre, pára um pouco e fecha de novo. A mãe observa a filha naquela cena confusa e indecisa e então pergunta:
- Anie Bell, pra que você está abrindo a geladeira se nada pega?
- Pra pensar.

A mãe de Annie Bell nem ligava mais para os “surtos” da filha. Já estava acostumada. E até achava normal para a sua idade. “Bom, um dia ela vai ter que parar, não é?” Anie Bell reclama para a mãe das tosses que a vem incomodando.

Receita da mamãe de Anie Bell:
- Cento e oitenta gotas de limão em uma colher de sopa com mel italiano.

Observação de Anie Bell:
- Mas mãe, as abelhas é que são italianas e não o mel.

Anie Bell era o tipo de menina-mulher peculiar. Gostava de colher versos perdidos no meio das músicas e escrevê-los nos rodapés das folhas de seu fichário durante uma aula chata. “Vou levando assim que o acaso é amigo do meu coração” era um dos versos que mais escrevia, apesar de considerar o acaso o seu inimigo ferrenho. Amava discursar como uma pseudo-moralista. Amava quando, ao menos, fingiam que a estavam escutando. Tinha mania de escrever datas por extenso. Pensava que se tivesse a idade de agora em 1987 talvez teria sido uma groupie dos The Smiths. E considerava o amor uma droga depressiva do sistema nervoso central.



Cap. II – Conhecendo Anie Bell [Parte II]

Anie Bell entra no quarto.

Anie Bell entra no quarto. Estava preocupada. Na verdade, tinha medo da professora de francês. Esta havia dito para a sua mãe que ela deveria ser “moldada”, como todas as outras moças...tão interioranas... Anie Bell achava que a sua professora parecia, sei lá, uma cafetina querendo recrutá-la.

Arranca o all star dos pés. E vai procurar um livro para ler. Pegou um no criado-mudo que estava marcado, já estava na metade do livro de Neil Gaiman, Sandman.

[Anie Bell, a única leitora de Sandman que gosta mais da Delírio que da Morte]

Joga-se na cama e começa a desfrutar da leitura, quando a porta bate. É a sua mãe:

- Anie, minha filha, a Desirée está aqui.
- Manda entrar.

A porta se abre e entra uma garota, aparentemente da mesma idade de Anie Bell e visivelmente pálida. O toc-toc do salto alto de Desirée tornou-se mais perceptível, quando ao se aproximar da cama, esta bate os dois pés simultaneamente ao chão, enquanto fecha os punhos.

- Ele terminou comigo, Anie Bell.
- [silêncio]
- Ele me trocou por aquela cadela ruiva e ainda me manda um “seja feliz” no final!! Esse filho da mãe me paga! – já em prantos.
- [silêncio]
- Fala alguma coisa, droga!!!!!!!!
- Caraca.
- Eu não mereço isso, Anie Bell. Ninguém merece ser passada pra trás desse jeito, muito menos, por uma putinha de cabelo de fogo como a Nancy. O que me dá mais raiva é que aquela metida vai ficar se achando agora, arghhhhhhh!!!

Anie Bell pede calma e senta a amiga na cama. Pega um lencinho e dá pra Desirée.

- Desirée, mas você não gostava DELE. Você gostava da coleção de vinil da Janis Joplin DELE! Por que ficar assim?
- É que eu não admito ser trocada – soluça.
- Mas trocar você pode, né?
- Claro,...hunf.
[Um minuto de silêncio]
- Anie Bell...
- Hum?
- Põe pra tocar aquela música do New Order?
- Qual?
- Perfect Kiss.
- Aquela que parece uma cover do The Cure? E tem sapinhos coaxando?
- Ehehehe, essa mesmo – e brota um belo sorriso dos lábios de Desirée.

Desirée é o oposto de Anie Bell. Esta é um tanto quanto anti-social, enquanto a outra se dá muito bem, principalmente com os garotos. O único ponto convergente entre as duas é a música. Ambas apreciam o mesmo gosto musical. Têm os mesmos cds e vão para os mesmos shows, sempre. Aliás conheceram-se num show da Turma da Mônica num Dia das Crianças perdido nos anos 90. A menina Anie Bell puxara as longas tranças douradas da menina Desirée por esta ter mordido uma barra de chocolate que havia em suas mãos. E da inocente briga, tornaram-se grandes amigas.

A mãe de Anie Bell entra no quarto pra chamar a filha para almoçar. Desirée dormia na cama de Anie Bell. E esta estava na Internet lendo algo sobre o Morrissey dos Smiths. Para ela, Morrissey era seu herói. O chefe da facção frígida e assexuada. “Um dia nós dominaremos o mundo!”. Uma vez sua mãe perguntou onde ela tinha achado o Morrissey. “Que raio de pergunta é essa?”.

- Achei no chão.
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Ètoile
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February 20th, 2007, 7:42 pm #2

Cap. III – A Carta


“Olá, meu querido.

Estou te escrevendo para dizer que ainda existo. Peço-lhe mil desculpas por nunca mais ter escrito, mas você deve admitir que é de certa forma cruel que eu lhe escreva sem obter respostas. Devo até admitir que é muita idiotice de minha parte esperar uma resposta sua, uma vez que sei que você ainda não me conhece, da mesma forma que não te conheço, e sei também que esta carta vai terminar parando em alguma caixa velha, ao lado de um par de velhos sapatos preto de verniz tamanho 20, ou talvez eu a use para acender velas da próxima vez que estiver sozinha em casa, para apreciar melhor minha pintura a óleo na parede e minha xícara de cappuccino. Aliás, várias vezes, as cartas para você tomam destinatários diferentes, como amores ressentidos, velhos amigos e pessoas que nunca cheguei a conhecer melhor.

Mas, apesar de não te conhecer, você está me sendo útil para exercitar meu medíocre português e o pouco de humanidade que me resta.

Oh, desculpe-me! Não deveria estar te incomodando assim! Esqueci-me de que, no mundo que tenho dentro de minha mente, eu te amo, e neste momento eu deveria estar com um sorriso bobo, escrevendo um monte de besteiras tão idiotas quanto eu e você.

Infelizmente esqueci meu falso sorriso de plástico nessa bagunça toda, mas acho que posso improvisar.

Amar-te-ei sempre! Isto, pelo que sei, é verdade. E realmente nada me agrada mais que dizer a verdade. Agrada-me quase tanto quanto sonhar com você, enquanto um travesseiro me afoga em sua espuma e um sorriso se passa, quase miraculosamente, em meu rosto cansado.

Você sabe que ainda espero por você, não?

Claro que não, você nunca toma conhecimento de nada, meu doce idiota. Meu tão doce e tão idiota amor! Você é um dos únicos que não desconfia de minhas mentiras, o único que prende minha atenção e faz ter certeza de que não sou odiada.

Aliás, ainda imagino se você ainda se lembra de mim. Como o tempo passa! Você existe desde os tempos daquela menininha franzina de franjas caindo aos olhos. Ela não te conhecia tão bem quanto eu.

Se bem que acho que por vezes não te conhecia. Mas continuo aqui, com a caneta em punho, esperando que você ainda me ame.

Por vezes me torno tão ingênua e tola quanto você. Ou até tão indiferente quanto você.

Mas creio que era nossa inconstância e nossa infantilidade que nos unia. E continuo aqui, com a caneta em punho, mentindo descaradamente e inventando histórias para agradar o público invisível.

Infelizmente não posso escrever muito, também por não conseguir. Eu deveria continuar floreando palavras, deveria estar rebuscando minhas infelizes frases simples e estúpidas, mas não mais posso. Tenho que terminar por aqui.

Adeus, e espero que um dia você exista, querido nada.


Ass: Anie Bell”


Cap. IV

Anie Bell adora escrever cartas para ninguém, embora as mesmas sempre terminem confinadas em uma caixa de sapatos velha num baú de nostalgia. Às vezes, até se diverte relendo algumas delas. É um passatempo para ela escrever. Anie Bell é o próprio demônio do purgatório como escritora. Escandalosa e non sense. Ama escrever e pintar. No início, comprara algumas telas e pincéis para descarregar todas as mágoas e ressentimentos da vida, mas depois a “terapia” virou um prazer constante. O seu tipo de pintura preferida é a feita a óleo, pois acha que “fixa” mais os seus pensamentos na imagem.

Anie Bell não sorri nem demais, nem de menos. Não lê anúncios de postes na ruas, não tem saco pra ver o Jornal Nacional até o fim, tem mania de achar que as pessoas rindo ao lado na verdade estão rindo dela e ouve Radiohead, porque adora ouvir sons de pessoas agonizando - principalmente porque sabe que ninguém tá morrendo de verdade. A brincadeira é saudável.

Desde os nove anos, a sua musa é Mia Wallace. Lembra como hoje, o momento em que foi barrada na porta do cinema, por não ter faixa etária para assistir ao filme Pulp Fiction. Lembra claramente também o que dissera ao moço da bilheteria:

- Mas eu tenho “cabeça etária”, seu mané.

O moço sorriu. E talvez tenha acredito mesmo na menina Anie Bell pela genialidade de sua resposta. Inconformada pelo fato de não poder ver a sua musa, a pequena teve a idéia de prestar-lhe ao menos uma singela homenagem. Pediu a sua mãe e ambas foram ao cabeleireiro. Isso, cortara o cabelo igual ao da Mia Wallace.

“Girl, you’ll be a woman soon.”

Hoje, a Anie Bell mulher tem cabeça elétrica e coração acústico. Nunca acreditaria que chegasse a essa fase “môlherrr”. Não que sempre pensasse em se suicidar ou sofrer um acidente e morrer antes dos vinte. Mas é que ela nunca pensara mesmo na idéia de se tornar uma adulta. Aliás, tinha até pavor disso. Achava os adultos seres chatos e medíocres que não sabiam viver. E Anie Bell não queria ser mais um chato e medíocre a comer amendoim e vomitar cerveja no sofá em um tedioso domingo à tarde.

Andando pelo campus universitário, Anie Bell sente uma maior sensação de liberdade. Talvez por causa do verde, assim pode se sentir mais perto da natureza. Se não amasse tanto as letras, seria no mínimo, bióloga. Desde pequena criou o hábito de conversar com as plantas. Contava os seus segredos para elas, pois não haveria risco dos mesmos serem espalhados. Confiava mais nas plantas do que nas pessoas.

Na esquina do prédio de Ciências Sociais, Anie Bell encontra Roberto, seu colega de primário e atual fiel acompanhante de rodadas de suco e sanduíches de atum no Bar Francês. De vez em quando os dois se esbarram pelo campus universitário, embora estudem em prédios e cursos diferentes. Anie Bell é letrista pseudo-comportada. Roberto é aspirante a sociólogo lutador pelos direitos humanos e fudido.

- Anie, minha queridona!! – dá um abraço bem forte em Anie Bell.
- Ahhh, oi Beto. Você.. sempre carinhoso – corresponde ao abraço do amigo.
- Que cara de frustração é essa Bell?
- Nunca encontrei nenhum vinil do Smiths ou do Joy Division nessa porra de cidade.
- Ah, desencana sua chatonina! A gente vai pro show do Del Rey como prêmio consolação.
- Legal – abre um sorriso no rosto.

Depois de marcarem melhor o encontro e se despedirem, alguém, que ao longe os observava e ouvia toda a conversa, sai por detrás de uma árvore e agora vem na direção de Anie Bell.

Desirée se ajeita rápido e tenta alcançar a amiga, que já saia em disparate na direção do prédio do curso de Letras.

- Anie Bell, espera por mim!!
- Oi Desirée – fala Anie Bell, virando-se.
- Eu vinha passando por aqui em frente para ir à biblioteca e vi você conversando com um rapaz alto. Eu achei interessante porque eu não o conheço, nem mesmo lembro de já tê-lo visto por aqui...
- Aí, então, você quer saber quem ele é – corta logo Anie Bell, chegando aos “finalmente”, já que a amiga não o conseguia.
- Err... sim! - sorri sem graça a menina loira.
- O nome dele é Roberto. Ele é estudante de Ciências Sociais. Faz parte do diretório estudantil e se mete fácil em qualquer protesto social de baixo ou alto calibre. Já foi preso por isso até. Seu suco preferido é o de graviola. Atualmente, estamos dividindo um projeto de iniciação científica. E ele gostaria muito que da próxima vez que estivéssemos conversando pelo campus nenhuma amiga minha ficasse nos olhando escondida por trás de uma árvore qualquer – diz sem pausas.
- Nuooossa, deu pra perceber??? – pergunta Desirée, sem graça.
- Convenhamos, você nunca soube disfarçar, Desirée. Desde pequena é assim.
- Ai Anie Bell, mil desculpas. Eu estou morta de vergonha, juro! Prometo que não vou fazer isso de novo, “nunquinha”, não, não!! – garante de dedos cruzados.
- [silêncio]
- Fala comigo amiga, eu já te pedi desculpas.
- Petelecos, pandarecos – Anie Bell começa a falar indiferente olhando para o céu.
- Não adianta isso, Bell.
- Escarro de escaravelho.
- Você sempre tem a necessidade de sair por cima nas situações! Por quê? – insiste Desirée.
- Escarafunchado, escancarado, escorrido – continua, sem dar atenção.
- Sabe o que você é? – aponta pro nariz de Anie Bell - Uma INSENSÍVEL!!!!! Não percebe exatamente nada do que se passa a sua volta – dá um empurrão na amiga.

Anie Bell cai no chão. E Desirée desaparece por entre as árvores.

Uma hora da tarde. Anie Bell chega em casa. Nos últimos dezoito carnavais, ela não tinha sentido tão pesada a “interrogação” que se formara numa nuvenzinha de incertezas acima de sua cabeça. A amiga jamais agiu daquele jeito, nem quando criança. Joga, então, as suas coisas na mesinha de estudar e desaba na cama. Não queria pensar mais em nada. Preferia ser uma toupeira fatiada, frita, ralada e caramelada a que ser aquele lixo em que se encontrava agora.

O seu celular toca. É Roberto:

- Bell, onde você está? – pergunta preocupado.
- Eu estou aqui no Purgatório.
- Sem brincadeiras, mocinha. Você não vem fazer a pesquisa?
- Ah sim, Roberto, desculpa não ter te avisado antes, mas não poderei fazer a pesquisa para o projeto contigo hoje. Estou sem cabeça.
- Tudo bem, minha querida. Descanse e depois nos falamos. Te vejo à noite, ahn?
- Sim - abre um sorriso.

Anie Bell sai do quarto e vai para a cozinha onde encontra a sua mãe. Abre o armário e pega um pote de mel. Pega também um prato e uma banana. Enquanto a fatia todinha e joga o mel por cima, a menina pergunta a sua mãe:

- Mãe, como você me vê?
- Como assim, filha?
- Eu estou perguntando como você vê a Anie Bell, além de lendária idiota comedora de mel?

A mãe sorri:
- Eu vejo uma mocinha muito engraçada, super inteligente, boa escritora e bem bonita até.

Anie Bell volta a comer o seu mel calada. Depois de um tempo, volta a perguntar:

- Mãe, eu sou insensível? – pergunta ao lembrar da conversa nada agradável com a Desirée.
- O quê?!
- É isso mesmo o que você ouviu, mãe. Sou eu uma pessoa insensível? Ah... Esquece!

Silêncio. A mãe de Anie Bell resolve deixar pra lá a pergunta da filha e volta a preparar a salada. Depois de um bom tempo:
- Mãe, será que eu tenho chances de ser amada?
- Ah, minha querida, mas que pergunta é essa?! Todo mundo tem chances de ser amado algum dia.
- Mas eu posso ter 99,9% de probabilidade de vir a ser amada e essas 99,9 chances não acontecerem!!! É que nem a genética!
- Ai filha... – a mãe de Anie Bell bota a mão na cabeça.

Silêncio na cozinha novamente. Só o barulho das panelas no fogo. Anie Bell já terminara de comer e, agora, apenas olha o seu prato como quem olha para o nada e acha graça disso. Porém, mais uma vez a garota quebra o silêncio:

- Mãe, só mais uma dúvida.

A mãe de Anie Bell olha para o céu e depois para a panela. “Haja santa paciência”. Então resolve parar tudo o que fazia e olhar somente para a filha que lhe encarava com um olhar 43 quase 44. “Espero não me arrepender”, pensa antes de dizer:

- Tudo bem, querida. Manda!
- O que é um escarro de escaravelho escarafunchado, escancarado e escorrido?
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+AArK+
Deus do Fanfiction
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Joined: February 13th, 2007, 3:51 pm

February 21st, 2007, 3:29 pm #3

cara... vai se tao foderoso poder ler isso d nv ;D
e melhor, ainda te-lo no meu forum xD uau! to lisonjeada ;D
posta a vontad etoile, aproveita q a fic ta cabando la e começa aki ;D
Sobreviva
Lute
Se levante
Não desista
Não seja uma sombra de si mesmo
Meu novo lar! ;D~
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Ètoile
FanfictionMaster
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Joined: February 18th, 2007, 4:37 pm

February 22nd, 2007, 1:33 am #4

Cap. V - En découvrant Desirée



Anie Bell chama a garçonete.

Anie Bell chama a garçonete. Enquanto esta não chega, a garota observa o pôr-do-sol da janela ao lado da mesa. Tinha passado um belo dia ao lado de uma ótima companhia e agora via um pôr-do-sol de encher os olhos. Apesar de tudo isso, ainda não se sentia feliz. “Algo falta”.
- Pensando alto, Bell? – pergunta Roberto que já a observava há algum tempo.
- Ahn? – sai confusa de seus pensamentos – O quê? Eu falei algo?
- “...falta” – completa o garoto.

Anie Bell se enrubesce. Sem querer tinha falado aquilo mesmo. Sentia vergonha de encarar Roberto. Sentia vergonha de não o estar recompensando agora com sua alegria depois de ótimas horas em um parque de diversão que o amigo lhe havia proporcionado. Para alívio de Anie Bell, a garçonete aparece na mesa rompendo o clima chato.
- Quero um sorvete de baunilha.
- E eu uma coca-cola - diz Roberto.

Depois de um tempo:
- Não dá, Roberto.
- Por que não? Vai começar o feriadão e, pelo que eu saiba, você não tem provas na facul. Vai ser legal. Lá é um lugar lindo para se aproveitar o inverno.
- É que eu tenho que terminar de ler um livro.
- Ué, leva o livro! Não existe melhor lugar para a leitura do que as montanhas.
- Eu gostaria muito, mas é que eu não quero deixar minha mãe sozinha – tenta outra desculpa mais eficaz, enquanto enxuga as mãos com um guardanapo.
- Você pode levá-la. Será uma ótima companhia para minha tia, que mora naquela casa grande sozinha, tadinha. Você pode levar quem você quiser!
- Ótimo! Então, a Desirée vai comigo! – solta um sorriso bobo.

Roberto apenas faz “sim” com a cabeça. Estava espantado com a mudança súbita de humor de sua amiga. Não achava isso típico da personalidade de Anie Bell. Agora pouco, estava tão desanimada que nada parecia anular-lhe a tristeza. “Quem será Desirée?”.

Anie Bell sai da lanchonete pensativa. Só é aí que cai na real. Estava há uma semana sem falar com sua melhor amiga. Desde aquela briguinha aparentemente boba no campus universitário, nunca passaram tanto tempo intrigadas uma da outra. Nem, ao menos, vinte e quatro horas. Porém, agora, a coisa era séria. Existia algo tão forte quanto a amizade que as estavam separando. E só de pensar em descobrir esse “algo” já dava “formiguinhas” no estômago de Anie Bell.
- É gastrite nervosa.

Disse o médico de Anie Bell há alguns dias atrás, quando esta procurou o seu consultório se queixando de dores no estômago.

Receita do médico de Anie Bell:
Tomar um buscopan todas as manhãs, sair para passear ou namorar e esquecer um pouco da vida.

Observação de Anie Bell:
Não existe só com o remédio não?

A mãe de Anie Bell ri com a piada pseudo-inocente da filha.

Desirée termina de pentear seus longos fios dourados em frente ao espelho. Era belíssima. Filha de franceses. Delicada e fina. Enfim, o tipo de garota de causar inveja nas amigas. Sabia ingenuamente (ou não) seduzir os garotos com seu par de olhos azuis instigantes. Dá uma piscadela para si mesma e se levanta da penteadeira. A lua lá fora estava deslumbrante. Desirée pega a chave do carro e sai.
- Eu quero essa aqui – aponta para um desenho num álbum.
- Ótimo! Então eu vou preparando o material – diz o tatuador.
- Só mude as letras – lembra Desirée – Ah, e eu quero ela bem pequena, ouviu? Essas tattoos grandes e exageradas é coisa de gente brega e sem estilo – faz cara de repugnância, mas depois olha o corpo do tatuador cheio de tattoos e sua cara de quem ouviu e não gostou, então, se arrepende – Err... quer dizer, pra quem não é do ramo, ehehe *pede pra morrer*.

A boate estava ficando cheia. O som mais eletro de Bloc Party invadia a pista de dança. Desirée chega no balcão e pede uma bebida:
- Quantos anos você tem, garota? – pergunta o garçom.
- Dezoito – responde – mostrando-lhe a identidade.
- O que vai querer?

Desirée não dançava na pista de dança. A música, sim, “dançava” em seus ouvidos. Batidas psicodélicas de Primal Scream. Estava na quarta marguerita. Nunca bebera tanto. “Algo falta”, pensava. Um rapaz que já a observava há algum tempo se aproxima:
- Fica comigo? – grita, devido ao som alto.
- O quê? – grita também.
- Você é linda!
- Também acho.

Anie Bell aparece na porta de entrada da boate acompanhada de Roberto e outros amigos. Todos se acomodam numa mesa em um canto. É quando a jovem vê sua amiga se esbaldando na pista de dança com um desconhecido.
- Eu quero você...- fala no ouvido de Desirée o desconhecido.
- Ahn? Meu nome? – grita confusa.

O rapaz percebe que a garota já está fora de si e então a arrasta para um canto e começa a beijar seu pescoço.
- Ei, larga meu pescoço! Isso faz cócegas, ai mãezinha, ahahahahaha.
- Solta a menina! – Anie Bell aparece.
- Quem você pensa que é, pirralha? Mamãe te esqueceu aqui? – pergunta o rapaz em tom de ameaça.
- Eu sou a namorada dela – aponta pra Desirée – Você sabia que ela tem fungo? Passei pra ela – mostra a língua – Agora sai.

Desirée se prepara pra sair, desconcertada em seu par de botas cano longo.

- Ei, aonde você pensa que vai? – pergunta a outra.
-Ué, você não mandou sair?
- Você não, sua tonta, o carinha!

Este tinha se retirado assim que Anie Bell mostrara-lhe a língua. Saiu preocupado correndo com medo de ser infectado.
- Por que a sua língua tá verde? – pergunta Desirée.
- Pirulito de maçã verde.

Anie Bell vai se despedir dos amigos:
- Preciso ir. Vou levar uma amiga, a Desirée, em casa. Ela bebeu um pouquinho demais. Está me esperando no carro.

“Essa Desirée mais uma vez... Um dia eu ainda a conheço”, pensa Roberto.

Anie Bell entra no carro de Desirée. Esta ainda procurava a chave em sua bolsa. Já tinha jogado fora metade dos objetos que estavam nela.
- Minha agenda, batom, caneta, serra de unha, chave de fenda... Chave de fenda?! Eu nunca imaginei achar uma chave de fenda na minha bolsa! Isso não é o máximo, Bell! – dá uma risada da própria “descoberta”.

Anie Bell sorri junto. Nunca tinha visto a amiga bêbada. E o melhor, não sabia que ela fosse tão cômica nesse estado alcoólico da vida. Uma tarde com Roberto não a faria sorrir tanto quanto cinco minutos com Desirée. Anie Bell olha um tempo para a bela moça. Ficava linda com essa maquiagem escura. Realçava a cor dos seus olhos...
- Instigantes... – diz baixinho sem perceber. A outra nem ouve.
- Por que está olhando pra mim com essa cara?
- Eu tenho outra por acaso? Toma a chave do carro, você deixou cair lá fora.

As jovens chegam na casa de Desirée. Vieram de táxi. Anie Bell não deixou a amiga dirigir alcoolizada e nem tinha carteira de motorista para trazê-la em seu carro. Para ela, dirigir estressa a humanidade. Pensa ter feito uma boa opção pra sua vida. Não havia ninguém em casa. Os pais de Desirée tinham viajado.
- Leve-me que eu não posso comigo - disse Desirée atraindo-a a si brandamente.

Anie Bell levou-a até sua cama, onde ela deixou-se cair prostrada de cansaço. Não tendo soltado logo o braço de Anie Bell, esta reclinou-se para acompanhar-lhe o movimento, e achou-se debruçada para ela. Na posição em que estava, olhando por cima da espádua da moça, ela via na sombra transparente (o quarto estava na penumbra), quando o decote do corpete sublevava-se com o movimento da respiração, as linhas harmoniosas do colo soberbo de Desirée que se apojavam em contornos voluptuosos.
- Como brilha aquela estrela! - disse a moça, ao olhar pela janela.
- Qual? - perguntou Anie Bell inclinando-se para olhar.
- Ali por cima do muro, não vê?
Anie Bell só via a ela. Acenou com a cabeça que não. Desirée derreou-se então para a almofada, descaindo-lhe de sono e sua cabeça foi repousar no braço da amiga. Cerrara as pálpebras e atirara de novo a cabeça sobre a almofada, com esse delicioso abandono, em que o corpo descansa depois de um excessivo exercício. Anie Bell, na mesma posição, contemplava a formosa moça, que ela tinha ali, palpitante sob o seu olhar e ao contato do seu peito onde fervilhava o tecido da sua roupa, aflando ao vivo ofego da respiração. Ela vergou a cabeça e chegou a embeber a flor dos lábios nas mexas de cabelos que se alastravam pelas espáduas e refluíam pela face de Desirée.
Anie Bell não sabia o que fazer. Às vezes queria esquecer tudo, só para lembrar-se que a tinha nos braços. No entanto, quando queria ousar, um frio mortal trespassava-lhe o coração, e ela ficava inerte, e tinha medo de si.
Resistiu. Levantou-se da cama, deixando a amiga lá, já adormecida. E deitou-se em um colchão no chão. Na manhã seguinte, levantou-se cedo para ir embora. Antes, passou mais uma vez no leito, onde sua amiga ainda deleitava-se em seu aparente doce e brando sono. Seus cabelos espalhados pelo travesseiro desnudou-lhe o pescoço. Observou, assim, um desenho, ou melhor, uma tatuagem simples e delicada na nuca de Desirée. Um coração com as iniciais “D” e “A”.
- Uh-oh!
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Ráh
FanfictionLalarilala
Ráh
FanfictionLalarilala
Joined: February 14th, 2007, 2:45 pm

February 22nd, 2007, 1:39 am #5

eu tow lendo a terminação da fic no say,mas sabe que dá vontade de ler de novo?!*-*

eu gosto muito dessa fic.ai ai!x)

e é ton bonitinha essa cena da tatuagem!aneeeeim viu!*-*

><
><
><
'Você disse que odiava meu sofrimento
E que você entendia
E que você cuidaria de mim
Que você sempre estaria lá
Bem, onde está você agora?'
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haruhi
FanfictionPro
haruhi
FanfictionPro
Joined: February 17th, 2007, 3:28 am

February 22nd, 2007, 11:29 am #6

Desiree Falta, roberto sobra...
Esse roberto é bobo. num curti ele. xP

'' - Você é linda!
- Também acho. ''

huahauahauahauahauau.
A desiree tá ingraxada nesse
ultimo capitulo. =B

to lendo essa fic Dona Etoile,
pode tratando de continuar...
^^
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Ètoile
FanfictionMaster
Ètoile
FanfictionMaster
Joined: February 18th, 2007, 4:37 pm

February 23rd, 2007, 1:33 pm #7

Cap. VI - Transição


O sol parecia brilhar de propósito naquele dia só porque ela estava ali sentada no chão da estação, aguardando a primeira locomotiva que passasse e observando o céu mais azul do que nunca. Se tivesse alguém ao lado da Anie Bell naquela hora seria a cena romântica menos prática do universo. Sim, ela estava sozinha. Pegou uma pequena mochila, apenas disse à mãe que iria gastar o dia fora e saiu pela porta da frente na manhã que se abria.

A tatuagem de Desirée ainda lhe causava efeitos “desastrosos”. Tinha medo de descobrir quem era a pessoa dona daquele “A”. Medo de ser ela. Mais medo ainda de não ser ela. Iria sofrer muito. Uma dor que ainda não sabia como era. Tudo foi acontecendo tão rápido. Uma semana sem se falar com sua melhor amiga lhe trouxe muitas coisas. Coisas demais. Incerteza, dúvida e medo. Medo de amar. Depois do último episódio da boate, a relação entre as duas amigas voltou, praticamente, à normalidade. E agora Anie Bell não tinha mais medo de amar, mas de não ser amada. Não comentara nada a respeito da tatuagem com Desirée, mas percebera que a amiga vinha usando muito o cabelo solto, talvez fosse para “ocultar” o desenho na nuca. “Enquanto ela não falar sobre a ‘novidade’, fico na minha”. Esse era o seu plano de ação.

Queria pensar um pouco. Pensar longe também. Longe de sua casa e do seu mundo habitual. E uma pequena viagem seria perfeita para isso. Pegou todas as músicas que gostava e passou pro seu mp3 player pra ouvir durante a viagem de trem. Achava que as paisagens por onde passaria poderiam servir perfeitamente como clipes para a melodia que tocaria em seus ouvidos. “As árvores também sabem dançar!”. O trem chega e Anie Bell então parte.


***

Roberto se atrapalha com todas as caixas que o Sr. Abdias lhe dera para preparar a exposição no museu de Arte Sílvio Calado. Faltavam apenas duas horas para a exposição das esculturas do Sr. Abdias e Roberto não havia terminando nem metade do seu trabalho. Uma vez prometera a si mesmo que daria um tempo no patrocínio de certas atividades culturais. Só a faculdade e o grupo de pesquisa estavam lhe matando. Quase não tinha tempo livre. O rapaz senta em cima de uma das caixas e limpa o suor do rosto. É quando ao olhar o chão ver um par de saltos altos belíssimo!

Em câmera lenta ele vai subindo os olhos para tentar desvendar a identidade da dona de estimável elegância e beleza. Não, não conhecia a bela figura. Sem pensar duas vezes ensaia três palavras:

- Aguardando a exposição, senhorita?
- Não, vim visitar meu pai. Ele trabalha aqui.
- Legal - faz cara de besta quadrada.

E observando que a jovem olhava com um ar instigante a escultura de uma mulher desnuda com a faca no ventre, Roberto se adiantou:

- O nome dessa aí é “O Nascimento e Morte de Deus”. Foi inspirado no romance de Zaratrusta. Gosta de Nietszche?
- Sim, é um dos meus escritores prediletos.
- É, toda bela obra tem um grande nome por trás. Posso saber o seu também? [oquei, isso foi uma cantada maldita]

A jovem sorri do atrevimento improvisado de Roberto, o qual apenas admira, no momento, o sorriso encantador daquela.

- Ok, desculpas, deixa eu começar por mim. Prazer, Roberto – estende a mão em cumprimento.
- Desirée.


***

Anie Bell aproveitou a viagem de trem também para escrever. Encostara o all star numa bancadinha da frente, elevando, desse modo, as pernas e apoiando sobre estas um caderno. Tudo isso e mais a brisa fresca que de vez em quando lhe afagava os cabelos curtos resultou-lhe em 10 páginas de monólogos e afins. Anie Bell amava escrever. Só conseguia descarregar a alma em uma folha de papel. E agora mais do que nunca podia dizer que estava, enfim, aliviada.

Quando cansou de escrever, a garota começou então a desenhar as pessoas presentes ali no trem. Desenhou uma senhora de idade, com um olhar perdido e um chapéu de carmecita. Desenhou também um menino pequeno no colo de sua mãe que lhe fazia careta. Por último, desenhou um homem de aparência triste, que usava uma boina e óculos de grau e segurava uma foto entre as mãos. Anie Bell tenta se esticar um pouco para visualizar a pessoa da foto. Era uma garota branquinha de cabelos escuros e franja aos olhos. “ESPERA AÍ, AQUELA SOU EU!”.
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Ètoile
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Joined: February 18th, 2007, 4:37 pm

February 23rd, 2007, 1:34 pm #8

Cap. VII – Prelúdio de uma despedida


“Amores vicendos
Em noites amenas de maio
Tudo bem, maio ainda não chegou
O amor também não
No momento, só anseios de noites intermináveis
E de um duvidoso “sim”
Que ameaça quebrar o silêncio de outrora
Estrelando o teto sombrio do meu quarto
E apressando os minutos incontáveis
Da minha hora interminável

Turbulência de moléculas alvoroçadas e incansáveis
Sobrevoam o pensamento meu
Na busca incessante do teu
Esperando achar revelações preciosas
Na via das dúvidas,
Não é a nossa
Mas a paixão dos amantes intrépidos que quero ter.”

(Anie Bell)

Anie Bell fecha seu caderno.
Anie Bell fecha seu caderno. Terminara de escrever mais um de seus poemas, frutos de noites solitárias num quarto cor de cinza triste. Domingo, segunda, terça, quarta, quinta, sexta e sábado. Qualquer dia para ela é propício a um novo amontoado sentimental de palavras. A poesia. Ora escrevia para desabafo, ora escrevia por prazer. Seria uma menina romântica? Talvez o seria mesmo. Uma vez perguntaram-lhe:

- Você é romântica?
- Ninguém é perfeito.

Apagou a luz do abajur. E foi dormir. No dia seguinte conversaria com a mãe sobre a descoberta feita na viagem de trem de hoje. “Mais emoções, só amanhã”.

O dia amanhece. Os passarinhos pipilam os primeiros cantos do dia. Os raios de sol penetram timidamente pela janela da cozinha. Anie Bell toma uma xícara de café. E olha para o semblante pálido de sua mãe mais uma vez.

- Mãe, eu tenho certeza que era eu a criança daquela foto. Como poderia eu deixar de me reconhecer?

A mãe da garota nada responde. Anie Bell continua:

- Mãe - olha fixamente para a outra – É ele?
- Como ele era? – pergunta num fio de voz.
- Magro, branco, alto, cabelos escuros, óculos de grau – tenta relembrar da figura desconhecida vista no dia anterior – Acho que isso.
- Meu Deus – pausa – Ele não morreu!

Nisso, as pernas da mãe de Anie Bell se enfraquecem e ela quase cai no chão.

- Mãe – a menina corre para segurá-la – O que você tem? – passa a mão na sua testa – Está suando frio.
- Deve ser pressão baixa. Pega aquele remédio em cima do armário.

Depois de um tempo, após ter tomado seu comprimido e se recuperado do choque, a mãe de Anie Bell senta a filha na cadeira à sua frente e pega em suas mãos.

- Anie, meu amor, aquele homem que você viu ontem no trem é seu pai.

Aquilo foi um baque para Anie Bell. Seu pai não estava morto. Ele havia morrido já faz um bom tempo. Pelo menos foi essa a notícia que receberam ela e sua mãe quando tinha 6 anos. Morrera na queda de um bimotor. Porém, seu corpo não havia sido encontrado. Depois de dois anos, o juiz decretou a sua morte presumida por sentença. E, assim, Anie Bell crescera sem pai. Todo ano o dia dos pais era um tormento em sua vida. Era a garota sem pai da sala. Mas nunca deixava de fazer uma homenagem a ele em seu dia. Escrevia uma cartinha. As famosas cartas para ninguém da Anie Bell. Agora, olhando pela janela da cozinha o sol que fizera entrar agora a pouco seus primeiros raios de sol através dela, a garota se sentia na expectativa de ter seu pai de volta. Correu para a casa de Desirée. Esta seria a primeira a quem contaria a feliz notícia.

- Bom dia, Dona Mireille! – passa correndo pela sala onde a mãe de Desirée arrumava umas caixas. Esta nem teve tempo de responder. Anie Bell sumira de sua vista num piscar de olhos.

Entrou no quarto de Desirée. A francesinha ainda dormia tranqüilamente em seu sono plácido. Anie Bell se deita ao seu lado e começa a fazer leves cócegas em seu corpo. Desirée adorava aquilo. E Anie Bell sabia disso. Muitas vezes fôra acordada daquele jeito pela amiga. Delicadamente abre os olhos. E ver o sorriso radiante da outra garota. Seu coração bamba.

- Bom dia, minha coisinha infinita! – diz alegremente Anie Bell – Preciso te contar algo.

As duas caem no chão do quarto de Desirée, entre sorrisos e palavras soltas de alegria. Anie Bell havia contado detalhe por detalhe da viagem de trem, da descoberta e da conversa com sua mãe. E, agora, comemoravam a boa nova. Depois de se cansarem da comemoração. Ambas, deitadas lado a lado, olham para o teto do quarto sem nada dizer. Um minuto de silêncio. Desirée é a primeira a falar:

- Bell, fala algo, eu nunca gostei de silêncio, você sabe disso – diz, ainda olhando para o teto e futucando a cintura da outra com o dedo.
- A sabedoria de um tolo não vai te libertar.

As frases de Anie Bell eram geniais. Desirée não resiste e sorri.

- Ahahahahaha... Sua boba! – fala virando-se para a amiga – É por isso que eu te amo!

Logo depois, lembra-se de algo triste que lhe vem à cabeça. Algo que faz gelar sua pele aveludada e trancar seu coração. Levanta-se calada. Anie Bell não percebe a movimentação e continua deitada inerte, com os olhos fixados no teto.

Chegou o feriadão. Como havia combinado, Anie Bell levou sua mãe e Desirée para passar três dias de folga na casa da tia de Roberto nas montanhas. A mãe de Anie Bell prometera a filha que ao voltar para casa ia tentar localizar o paradeiro de seu pai. Mãe e filha estavam felizes. Sentiam que iam encontrá-lo logo, logo. O feriadão passou como uma pluma para todos. Descansaram, se divertiram. Todos, menos Desirée. Andava triste e calada. É obvio que Anie Bell percebera a mudança de comportamento na amiga, mas resolveu não perguntar-lhe nada. Achava que tinha a ver com a tatuagem amorosa feita por ela e só de pensar nisso, já era o suficiente para voltarem aquelas “formiguinhas” no estômago.

Enquanto Anie Bell, sua mãe e a tia de Roberto tomavam o chá das cinco, Desirée fingindo ir ao banheiro, passou pelas portas do fundo da casa e entrou em um quartinho pequeno. Lá se sentou em uma cadeira inquieta. Parecia esperar uma pessoa. No entanto, não teve que esperar por muito tempo. Alguém logo entra.
- Alguém viu você entrando? – pergunta preocupada.
- Não, eu tomei cuidado – responde Roberto, fechando a porta atrás de si.

Uma semana se passa. As amigas Anie Bell e Desirée quase não se viram no decorrer dela. Aquela, empenhada juntamente com sua mãe na busca de notícias a respeito de seu pai. Esta, provavelmente com medo de ver Anie Bell.

Sexta-feira. A noite chega mansamente. Estava fria. Desirée decide, enfim, ver a sua amiga. Vai a pé, caminhando para a casa de Anie Bell. Não moravam tão longe uma da outra. No caminho, a garota consegue conter algumas lágrimas que insistem em rolar no seu rosto. Sai enxugando uma atrás da outra. Até que em um certo momento não agüenta mais e se encosta em um poste de luz em uma praça. Segura-se nele de forma a manter o corpo enfraquecido pelo pranto em pé, firme. Chorava muito. “Ai Bell, eu não sei se vou conseguir tanto tempo...”.

Ao chegar na frente da casa de Anie Bell, Desirée limpa o resto das lágrimas e se ajeita. Não queria parecer um trapo para a sua amiga. Esta já havia jantado e estava conversando na varanda com sua mãe sobre as últimas informações que conseguiram a respeito do pai dela. Tudo levava a crer que ele estaria morando na cidade vizinha, a pouco mais de 100km. Mãe e filha estavam felizes com o progresso das buscas e contavam com a ajuda da polícia, a qual entrava em contato todos os dias trazendo uma nova pista. Anie Bell sentia que estava cada vez mais perto de reencontrá-lo. “A próxima ligação deles é para dizer que o achou”, pensa.

A casa de Anie Bell era aberta, com um belo gramado na frente. Desirée se aproxima das duas:

- Boa noite, Dona Íris. Boa noite, Bell.
- Boa noite, minha querida. Você sumiu essa semana, aconteceu alguma coisa? – pergunta preocupada a mãe de Anie Bell.
- Não, é que eu estava muito ocupada ajudando meus pais lá em casa – dá uma desculpa qualquer.
- Eu vou lá dentro terminar um bordado, fiquem à vontade – sai.

Anie Bell e Desirée ficam sozinhas. Esta senta ao lado da outra e a abraça forte e demoradamente. Anie Bell, surpresa com aquele carinho repentino da amiga, ia falar alguma coisa, mas Desirée não deixa:

- Não fala nada, só fica assim, abraçada comigo.

Anie Bell só conseguia sentir o cheiro dos cabelos sedosos de Desirée. Pensava em bobagens. Mas se controla. Depois de um bom tempo, abraçadas em silêncio. Desirée fala ao se separar da amiga:

- Posso dormir essa noite contigo?

As pernas de Anie Bell tremem:
- Claro, né! – dá um sorriso bobo - Essa casa sempre foi sua também, você sabe disso.
- Obrigada - Desirée olha pro chão e continua - Bell, se você não fosse mais me ver, pelo menos, por um tempo, o que você faria?
- Que pergunta é essa agora, Desirée? Não pensa nisso nem por Deus! Mas por que você está perguntando isso?
- Por nada. Besteira minha – muda de assunto – O que você pretende fazer com aqueles poemas que você escreveu? Parece que você fechou mais um caderno completo deles, né?
- É verdade. Mas está tudo tão difícil. É muito caro pra publicar um livro aqui no Brasil, as portas não se abrem tão facilmente assim.
- É... E os quadros que você pinta? São lindos, Bell! É muito triste pensar que as pessoas nesse país não dão o devido valor à arte – pega na mão da amiga – Mas eu tenho certeza que você ainda vai se dar bem, muito bem, Bell. Eu tenho certeza que um dia eles vão reconhecer o seu trabalho e você vai ganhar muito dinheiro por isso.

Anie Bell fica assustada com a convicção com a qual Desirée falava. Mas não liga, de todo modo estava feliz pelo apoio moral que recebia. As duas sobem para o quarto e se preparam para dormir. A pedido de Desirée, Anie Bell pôs o seu colchão na varandinha coberta do seu quarto.

- É que é para observar melhor as estrelas – diz Desirée, abraçada num cobertor grosso de lã.

Depois de um breve silêncio, quando já estavam deitadas:

- Bell...
- Hum?
- Cita qualquer versinho bobo teu para mim?
- Você pensa que é importante? O vagalume é muito mais. Ele pisca a bundinha. Coisa que você não faz!
- Ahahahahaha. Ai Bell, você não presta! Eu disse um verso de verdade!
- Não, você disse um verso bobo.

Desirée sorri mais ainda. Amava Anie Bell. E essa era a única verdade com a qual ela queria dormir, naquela sexta-feira fria, numa varandinha pequena, depois de observar as estrelas, ao lado de uma “coisinha infinita”.
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Deus do Fanfiction
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Deus do Fanfiction
Joined: February 13th, 2007, 3:51 pm

February 23rd, 2007, 2:08 pm #9

ALJASILASLIASKUHASKUHSA

VO FALA
JA DISSE Q D LONGE ESSA EH A FRASE Q EU GOSTEI MAIS DA HISTORIA TODA???

"- Você pensa que é importante? O vagalume é muito mais. Ele pisca a bundinha. Coisa que você não faz! "

haskuhsaukhasjyggyKGSAHUSAHSA

adoooooooooooro²³²³³²
Sobreviva
Lute
Se levante
Não desista
Não seja uma sombra de si mesmo
Meu novo lar! ;D~
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Ètoile
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Ètoile
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Joined: February 18th, 2007, 4:37 pm

February 24th, 2007, 1:17 am #10

Cap. VIII – Desentendimentos


Chovia levemente.

Chovia levemente. Desirée observava os pingos da chuva deslizando pelo vidro do portão de embarque. Estava no aeroporto. Estava voltando à sua terra natal junto com seus pais. Seu pai recebera transferência e estava contente por voltar para perto do resto da sua família. A sua esposa também estava feliz. Mas a sua filha não. Para Desirée, o mundo acabava ali. Se sobrevivesse, tinha certeza que passaria pelo inferno em vida. Não saberia como lidar distante do lugar onde crescera. Distante das pessoas com quem convivera. O portão se abre e a passagem para o vôo é liberada. Desirée e seus pais se levantam para a fila de embarque.

Naquela manhã de sábado nublado, Dona Íris (perigosa chefona do lar e mãe nas horas vagas) preparava deliciosas panquecas com a ajuda de Ofélia (governanta mor e assistente em culinária) para a sua querida Anie Bell (montinho de poeira). Esta acordou preocupada com a Desirée, a qual se acordou e fora embora sem avisar, mas depois se confortou com o fato de que a amiga não quisera interromper-lhe o sono. No mais, estavam bem animadas naquele dia que iniciava:

- Os Serial Killers deveriam matar mais homens... – diz a mãe de Anie Bell.
- Por isso nunca me casarei e deixarei um homem a mais disponível para as matadoras! – retruca Anie Bell.
- Ah... Não seja tão cruel, eu acho que os homens ainda sim servem para algumas coisas – fala Ofélia, a empregada.
- Nem pensar! Eu descolo um cachorro, aprendo a cortar grama e tá beleza! – diz Anie Bell.
- Melhor ainda se ficar numa casa sem grama! – lembra a sua mãe.
- Exatamente.
- Mas... E para abrir latas de sardinha?
- Mãe, eu odeio sardinha.
- Meu Deus, fudeu – comenta Ofélia.

Alguém bate a porta.

- Eu atendo – diz Anie Bell, levantando-se da mesa.

Era Roberto. Estava com uma cara de desânimo.

- Bom dia, Bell. Tenho uma notícia nada legal pra te dar.
- O que aconteceu?
- A Desirée foi embora para a França.
- Como?

Naquela hora, Anie Bell não viu nem o chão. Suas pernas fraquejaram e ela caiu quase desfalecida. Roberto a levantou em seus braços e a deitou no sofá. A mãe de Anie Bell veio correndo da cozinha assustada com o grito do rapaz.

- Meu Deus, o que aconteceu? – pergunta Dona Íris, passando a mão na testa da filha – Nossa, ela está ficando febril.

E com a ajuda de Roberto e Ofélia, ela coloca a menina em sua cama. Dá-lhe um remédio e ouve atenta o que Roberto lhe diz, enquanto passa a mão carinhosamente nos cabelos negros da filha.

- Mas porque ela não veio ao menos se despedir da gente? – pergunta Dona Íris.
- Não sei – responde Roberto.

Na verdade, ele sabia. Mas não queria dizer. Assim seu plano não daria certo. Precisava agora esperar a poeira baixar para voltar a agir. Despede-se da mãe de Anie Bell e sai.

- Mãe, diz que é mentira vai? – pergunta a menina chorando.
- Não é não, meu amor. Mas por favor, dorme um pouco, depois a gente conversa sobre isso.
- Não mãe, eu não vou conseguir! – Anie Bell estava em pranto, chorava compulsivamente- Mãe, vai lá buscá-la, vai! Traz ela de volta pra mim!
- Meu Deus, filha, se acalma, por favor.
- Traz a Desirée, mãe, traz, vai! – Anie Bell se debatia na cama, a febre tinha aumentado, estava delirando já.
- Toma esse outro remédio, minha querida, isso tudo vai passar, mas tarde o Roberto vem aqui de novo te ver.
- EU NÃO QUERO REMÉDIO, EU NÃO QUERO ROBERTO, EU QUERO A DESIRÉE! – grita, logo depois tomando, a contra gosto, o remédio – Eu quero ela aqui, mãe – vai se acalmando logo depois – Eu quero ela... – fala mais baixo – Eu quero... – se vira pro outro lado da cama – Minha coisinha infinita... – fecha os olhos – Desirée... – diz num fio de voz.

E dorme. O remédio tinha feito efeito. Dona Íris nunca tinha visto a filha daquele jeito. Nunca teve tanta pena dela como agora. E ficou com medo até de pensar mais seriamente sobre as palavras de Anie Bell. Esta dormiu o dia todo e só acordou ao anoitecer. A sua febre tinha baixado e agora tomava um prato de sopa de legumes que sua mãe carinhosamente tinha lhe preparado. Naquela noite não queria escrever nenhum verso, não queria pintar nenhum quadro. Não queria nem ver as estrelas. Elas lembrariam Desirée. Sentia-se mutilada. “Arrancaram um pedaço de mim”.

Desirée admirava as estrelas da sacada do apartamento. Não comera nada no jantar. A ausência de fome e a angústia no peito não queriam mais sair dela. Chorara a viagem toda de avião. Uma aeromoça que passava perto parou e lhe perguntou:

- Por que está chorando, mocinha linda? Quer uma água?
- Eu acho que esqueci algo no Brasil.
- Mas o quê?
- Meu amor – responde e vira o olhar pra janela novamente.

A noite em Paris estava esplendorosamente iluminada. Mas Desirée só via escuridão na sua frente. Volta para dentro do apartamento e abre uma das malas. Dentro dela havia um quadro pintado por Anie Bell e um caderno seu de poemas, que ela furtara do seu quarto na véspera da viagem.

Uma semana se passa. Anie Bell parece melhorar do “baque” que levou. Nesses dias quem mais lhe fez companhia e deu-lhe apoio foi Roberto. Este parecia estar empenhado na melhora da sua amiga. E estava sempre pronto a levá-la para passear ou trazer-lhe alguma lembrancinha.
O telefone toca. Anie Bell atende:

- Alô.
- Bell? É Roberto. Tudo bem?
- Estou bem melhor, obrigada.
- Nem deu pra passar na sua casa hoje, estava ocupado com a exposição do Matias. O que você fez de bom hoje?
- Eu bebi tinta de caneta sem querer e, acredite, canetas com cheiro de pêssego têm gosto de shampoo.
- Ahahaha, pelo que vejo, você melhorou sim. Olha, você tem uma quantidade boa de quadros seus aí?
- Acho que uns dez, nessa última semana eu nem pintei mais nenhum, você sabe porquê...
- Sei, mas dez é suficiente para a exposição. O menino que estava na sua frente na lista de espera teve que se ausentar da cidade, você é a próxima.
- Legal... Se bem que essa exposição não vai ser suficiente pra descolar meu “ganha pão” no futuro, mas já é um passo.

Conversaram mais sobre algumas coisas e depois despediram-se. Anie Bell foi preparar os quadros para a exposição, mas percebeu a falta de um. Pára um pouco para jantar, depois voltaria a procurá-lo. Depois do jantar, Roberto aparece. A mãe de Anie Bell atende a porta:

- Boa noite, Dona Íris. A Bell está?
- Está sim, meu querido. Entre, por favor. Ela está procurando um quadro que se perdeu.
- Ah, é? – Roberto não estava nada surpreso.

Roberto bate a porta do quarto:

- Entra – fala Anie Bell.
- E aí? Encontrou? Sua mãe me contou...
- Nada ainda. E sabe o que foi que eu descobri agora? Um caderno meu de poesias também sumiu.
- Bell... – pega nas mãos da outra – Eu preciso te contar a verdade. Eles não sumiram. Foi a Desirée quem os pegou.
- Não, não pode ser, Roberto – solta as mãos – Ela não faria uma coisa dessas! Desirée sabe o quanto eu preciso deles, até para a exposição.
- Ela roubou você, sim, Bell! Acredite.
- Não chama a Desirée de ladra! – grita.
- Você deve estar muito apaixonada mesmo – diz Roberto, ressentido – Olha aí... Está cega!

Anie Bell olha pra um espelho. E vê sua imagem triste e derrotada. Estaria cega mesmo?

- Sai Roberto, eu quero ficar sozinha... – fala com os olhos já cheio de lágrimas.

Anie Bell fica sozinha no quarto. Encosta-se na parede e vai escorregando até o chão, num choro silencioso. Depois, enxuga as lágrimas que escorriam pelo rosto com as mãos e, sem querer, olha uma estrela através da janela aberta do quarto. Fala com ela como se fosse pra Desirée:

- Você vê o que está fazendo comigo? Além de tudo, é cínica. Por que apesar do meu sofrimento ainda insiste em brilhar tanto?

Como não obteve resposta, se levanta e vai ao banheiro se preparar para dormir. Em Paris, Desirée tomava seu café alegremente, olha pra uma bolsa grande ao lado, onde estavam o quadro e o caderno de Anie Bell, e solta um sorriso bobo:

- Você não perde por esperar, Bell.

Roberto estava já deitado na sua cama, pronto para dormir. Olha para uma carta da Desirée no criado-mudo e dá um sorriso malicioso:

- Você não perde por esperar, Desirée.
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